Medicina de Emergência e Cirurgia do TraumaChoque hemorrágico - tríade letal e cirurgia de controle de danosNível 3
Homem de 25 anos, vítima de vários ferimentos por arma de fogo no abdome, é levado direto para laparotomia. No inventário da cavidade há perfurações múltiplas de jejuno e de cólon transverso e uma laceração hepática profunda com sangramento ativo. Depois de 90 minutos de cirurgia o paciente apresenta sangramento difuso em superfícies cruentas.
Dados: sob anestesia geral e ventilação mecânica, SpO2 94%, PA 85 x 50 mmHg com noradrenalina, FC 128 bpm, temperatura 34,2 °C, pH 7,12, excesso de bases -12 mEq/L, INR 2,1.
Qual a melhor estratégia cirúrgica nesse momento?
AControlar sangramento e contaminação, tamponar o fígado com compressas e fechar o abdome temporariamente✓ correta
BCompletar as anastomoses intestinais e fazer colectomia com colostomia definitiva no mesmo tempo
CFazer hepatectomia regrada para controle definitivo da lesão hepática antes de fechar
DFechar a aponeurose primariamente para reduzir o risco de infecção e de hérnia
ECorrigir a acidose com bicarbonato de sódio e prosseguir com as reconstruções definitivas
Resposta correta: alternativa A
💡 Explicação
A alternativa A está correta: hipotermia, acidose e coagulopatia formam a tríade letal e indicam cirurgia de controle de danos. Faz-se um procedimento curto para conter o sangramento (tamponamento hepático com compressas) e a contaminação (ligadura ou grampeamento das alças), fecha-se o abdome temporariamente e o paciente segue para a UTI. A reconstrução definitiva fica para quando ele estiver fisiologicamente recuperado. Anastomoses, colectomia ou hepatectomia regrada (B e C) prolongam a cirurgia em paciente sem reserva fisiológica e aumentam a mortalidade. O fechamento primário da aponeurose (D) aumenta o risco de síndrome compartimental abdominal. O bicarbonato (E) não corrige a causa da acidose, que é a hipoperfusão.Questão enviada por Equipe Canetinha ao banco público do Canetinha.