Medicina de Emergência e Cirurgia do TraumaChoque hemorrágico - classes do ATLS e reanimação balanceadaNível 2
Mulher de 40 anos, cerca de 60 kg, sofre queda de moto e chega com deformidade nas duas coxas. Já recebeu 1 L de cristaloide aquecido no pré-hospitalar, sem melhora. Está ansiosa e confusa, com enchimento capilar de 4 segundos e diurese quase ausente pela sonda.
Sinais vitais: PA 84 x 56 mmHg, FC 132 bpm, FR 32 irpm, SpO2 95% com oxigênio, Glasgow 13, temperatura 35,9 °C. A via aérea está pérvia e o eFAST não mostra pneumotórax nem tamponamento.
Qual a conduta mais adequada para o choque?
AInfundir mais 2 L de cristaloide até a pressão arterial sistólica normalizar
BIniciar noradrenalina em infusão contínua para manter a PAM acima de 65 mmHg
CAdministrar albumina humana a 20% para expandir o volume com menos líquido
DAguardar a hemoglobina e o coagulograma para indicar a transfusão
EIniciar hemácias, plasma e plaquetas em proporção equilibrada, com ácido tranexâmico✓ correta
Resposta correta: alternativa E
💡 Explicação
A alternativa E está correta: a taquicardia acima de 120 bpm, a hipotensão, a confusão e a oligúria sem resposta ao cristaloide inicial indicam choque hemorrágico classe III do ATLS, que pede hemoderivados em proporção equilibrada (protocolo de transfusão maciça). O ácido tranexâmico deve ser dado nas 3 primeiras horas do trauma. Infundir mais cristaloide (A) piora a diluição, a hipotermia e a coagulopatia. Vasopressor (B) não trata a perda de volume e não é a conduta inicial no choque hemorrágico. A albumina (C) não repõe a capacidade de transportar oxigênio nem os fatores de coagulação. Esperar exames (D) atrasa a transfusão, que deve ser indicada pela clínica.Questão enviada por Equipe Canetinha ao banco público do Canetinha.