Medicina de Emergência e Cirurgia do TraumaVia aérea no trauma - via aérea cirúrgica na criançaNível 3
Menino de 8 anos, atropelado, dá entrada na sala de trauma com trauma facial grave: fraturas de mandíbula e maxila, sangramento orofaríngeo volumoso e edema importante. Duas tentativas de intubação orotraqueal falharam. A ventilação com bolsa-válvula-máscara e o dispositivo supraglótico também não conseguem oxigenar.
Sinais vitais: PA 90 x 60 mmHg, FC 150 bpm, FR 8 irpm (respiração agônica), SpO2 78% e caindo, Glasgow 6, temperatura 36,2 °C.
Qual a conduta mais adequada para a via aérea nesse momento?
ACricotireoidostomia cirúrgica com introdução de cânula traqueal pequena
BNova laringoscopia direta depois de trocar a lâmina e reposicionar a cabeça
CCricotireoidostomia por punção com cateter calibroso e oxigenação em jato✓ correta
DIntubação nasotraqueal às cegas guiada pelos sons respiratórios
ETraqueostomia de urgência realizada pela equipe na sala de trauma
Resposta correta: alternativa C
💡 Explicação
A alternativa C está correta: na situação de não intubar e não oxigenar em criança menor de 12 anos, o ATLS indica cricotireoidostomia por punção com oxigenação em jato como ponte para a via aérea definitiva. A cricotireoidostomia cirúrgica (A) é evitada nessa idade porque a membrana cricotireóidea é pequena e a cartilagem cricoide, que é o único anel completo da via aérea, pode ser lesada, com estenose depois. Insistir em novas laringoscopias (B) só atrasa a oxigenação de uma criança hipoxêmica. A intubação nasotraqueal às cegas (D) é contraindicada em fratura de terço médio da face e em paciente em apneia. A traqueostomia (E) é demorada e não é o acesso de emergência recomendado.Questão enviada por Equipe Canetinha ao banco público do Canetinha.