GinecologiaAbdome agudo ginecológico: torção anexialNível 3
Mulher de 27 anos, G0, com última menstruação há 12 dias, chega ao pronto-socorro com dor súbita e intensa na fossa ilíaca direita há 4 horas, iniciada durante atividade física, acompanhada de náuseas e vômitos. Está afebril e hemodinamicamente estável. O beta-hCG sérico é negativo. A ultrassonografia transvaginal mostra ovário direito aumentado, com 8 cm, contendo cisto simples de 6 cm, estroma edemaciado e folículos deslocados para a periferia. O Doppler mostra fluxo arterial no ovário. Há pequena quantidade de líquido livre na pelve.
Qual é a conduta mais adequada?
AAlta com analgésicos, porque o fluxo ao Doppler afasta torção anexial
BLaparoscopia de urgência com distorção do anexo e preservação do ovário, mesmo que ele esteja violáceo✓ correta
CLaparoscopia com ooforectomia direita, para evitar nova torção
DInternação para observação e nova ultrassonografia em 24 horas
ETratamento empírico de doença inflamatória pélvica com ceftriaxona, doxiciclina e metronidazol
Resposta correta: alternativa B
💡 Explicação
A alternativa B está correta: dor súbita com náuseas e vômitos e ovário aumentado e edemaciado por cisto são muito sugestivos de torção anexial. A presença de fluxo ao Doppler não afasta o diagnóstico, porque a torção pode ser parcial ou intermitente. A conduta é laparoscopia de urgência com distorção do anexo e preservação do ovário, já que o aspecto escurecido não indica de forma confiável que o tecido morreu e a função ovariana costuma se recuperar. A ooforectomia de rotina é desnecessária e prejudica a fertilidade, e observar a paciente aumenta o risco de perder o ovário. O beta-hCG negativo afasta gravidez ectópica, e o início súbito sem febre não combina com doença inflamatória pélvica.Questão enviada por Equipe Canetinha ao banco público do Canetinha.