GinecologiaDoença inflamatória pélvica e abscesso tubo-ovarianoNível 3
Mulher de 24 anos, G0, DUM há 10 dias, usa preservativo de forma irregular e tem parceria nova. Procura o pronto-socorro com dor em baixo ventre há 5 dias, que piorou nas últimas 24 horas, febre e vômitos. Ao exame: temperatura axilar de 38,6 °C, FC de 108 bpm, dor à palpação de hipogástrio e fossa ilíaca direita, sem sinais de peritonite difusa. Ao especular: secreção mucopurulenta no orifício cervical. Toque doloroso à mobilização do colo, com massa anexial direita dolorosa. Beta-hCG negativo, 18.000 leucócitos/mm³ e PCR elevada. A USG transvaginal mostra massa anexial direita complexa, multiloculada, de 6 cm, com conteúdo espesso, compatível com abscesso tubo-ovariano.
Qual é a conduta mais adequada?
ATratamento ambulatorial com ceftriaxona intramuscular em dose única, doxiciclina e metronidazol por via oral por 14 dias, com reavaliação em 72 horas.
BTratamento ambulatorial com azitromicina 1 g em dose única, por ser IST, com convocação do parceiro.
CLaparotomia imediata com histerectomia total e anexectomia bilateral.
DInternação hospitalar e antibioticoterapia parenteral de amplo espectro com cobertura para anaeróbios, com drenagem do abscesso se não houver melhora clínica.✓ correta
EObservação clínica sem antibióticos até o resultado das pesquisas de clamídia e gonococo.
Resposta correta: alternativa D
💡 Explicação
A alternativa D está correta: a paciente tem os critérios maiores de doença inflamatória pélvica (dor em hipogástrio, dor anexial e dor à mobilização do colo) e vários critérios menores, além de abscesso tubo-ovariano, febre e vômitos. Pelo PCDT-IST, abscesso tubo-ovariano, intolerância à via oral e estado geral comprometido indicam internação e antibioticoterapia parenteral, por exemplo ceftriaxona com doxiciclina e metronidazol, com drenagem se não houver resposta ou houver sinais de rotura. O tratamento ambulatorial (A) é reservado à DIP leve, sem abscesso. A azitromicina isolada (B) não cobre gonococo resistente nem anaeróbios e é insuficiente para DIP. A cirurgia radical (C) é exagerada numa mulher jovem e estável. Esperar resultados sem tratar (E) aumenta o risco de sepse e de sequelas como infertilidade.Questão enviada por Equipe Canetinha ao banco público do Canetinha.