GinecologiaHiperprolactinemia e anovulaçãoNível 2
Mulher de 29 anos, G1P1A0, em tratamento de esquizofrenia com risperidona há 8 meses, com quadro psiquiátrico estável. Refere amenorreia há 5 meses e saída de secreção láctea pelos mamilos à expressão. Nega cefaleia e alterações visuais. Exames: beta-hCG negativo, TSH de 1,8 mUI/L, creatinina normal e prolactina de 82 ng/mL (referência de até 25 ng/mL).
Qual é a conduta mais adequada?
AIniciar cabergolina imediatamente e manter a risperidona, pois a causa é certamente um prolactinoma.
BConsiderar hiperprolactinemia induzida pelo antipsicótico e discutir com o psiquiatra a possibilidade de troca por fármaco com menor efeito sobre a prolactina.✓ correta
COrientar a paciente a suspender a risperidona por conta própria e repetir a prolactina em 72 horas.
DEncaminhar para cirurgia transesfenoidal, pois prolactina acima de 50 ng/mL indica macroadenoma.
EIniciar levotiroxina, pois o hipotireoidismo é a causa mais comum de hiperprolactinemia.
Resposta correta: alternativa B
💡 Explicação
A alternativa B está correta: antipsicóticos bloqueiam os receptores de dopamina e são causa frequente de hiperprolactinemia, em geral com valores moderados como o desta paciente. A conduta é avaliar, junto com o psiquiatra, a troca por um fármaco que poupe a prolactina. Se a troca não for possível, pode-se pedir ressonância de sela para excluir lesão e repor estrogênio ou progestagênio pelo hipoestrogenismo. Não se suspende antipsicótico por conta própria (C), pelo risco de descompensação psiquiátrica. A cabergolina (A) pode piorar o quadro psicótico e não é a primeira medida. Um valor de 82 ng/mL não indica macroadenoma, e o tratamento do prolactinoma é clínico, e não cirúrgico (D). O TSH normal afasta hipotireoidismo (E).Questão enviada por Equipe Canetinha ao banco público do Canetinha.