Seminário Integrador em Clínica MédicaPolifarmácia e interações: hipercalemia por IECA, espironolactona e AINENível 2
Homem de 76 anos tem insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida e doença renal crônica (creatinina basal de 1,7 mg/dL). Usa enalapril, espironolactona, carvedilol e furosemida. Há 1 semana começou a tomar diclofenaco por conta própria, para dor no joelho. Procura o pronto atendimento com fraqueza muscular difusa.
Exames: potássio 6,6 mEq/L (referência 3,5 a 5,0); creatinina 2,4 mg/dL. O laudo do ECG descreve ondas T apiculadas e simétricas, com QRS de duração normal.
Qual é a medida a ser feita primeiro?
AAumentar a dose oral de furosemida e repetir o potássio em 1 semana
BPrescrever resina de troca iônica oral e liberar para casa
CIndicar hemodiálise de urgência antes de qualquer outra medida
DSuspender apenas o diclofenaco e manter os demais fármacos
EAdministrar gluconato de cálcio intravenoso, sob monitorização cardíaca✓ correta
Resposta correta: alternativa E
💡 Explicação
A alternativa E está correta: hipercalemia grave com alteração no ECG exige primeiro a estabilização da membrana miocárdica com gluconato de cálcio intravenoso, sob monitorização. Em seguida vêm as medidas que deslocam o potássio para dentro das células (insulina com glicose, beta-2-agonista inalatório), as que o removem do organismo e a suspensão dos fármacos envolvidos. A causa é a interação de três fármacos: o IECA e a espironolactona reduzem a excreção de potássio, e o AINE diminui a perfusão renal e a liberação de renina. Ajustes ambulatoriais (A e B) são inseguros diante de alteração eletrocardiográfica. Suspender apenas o AINE (D) não trata o risco de arritmia imediato.Questão enviada por Equipe Canetinha ao banco público do Canetinha.