Seminário Integrador em Clínica MédicaGasometria arterial: acidose respiratória na exacerbação de DPOCNível 3
Homem de 68 anos, com DPOC conhecida e tabagista ativo, chega à emergência com piora da dispneia e aumento do volume e da purulência do escarro há 3 dias. Está sonolento, mas responde a comandos. FR 28 irpm. Saturação de O2 de 84% em ar ambiente.
Gasometria arterial em ar ambiente: pH 7,28; PaCO2 65 mmHg; HCO3- 30 mEq/L; PaO2 52 mmHg. Valores de referência: pH 7,35 a 7,45; PaCO2 35 a 45 mmHg; HCO3- 22 a 26 mEq/L.
Qual é a interpretação mais adequada do distúrbio acidobásico?
AAcidose metabólica primária com compensação respiratória
BAcidose respiratória aguda, sem compensação renal
CAcidose respiratória crônica agudizada✓ correta
DAlcalose metabólica primária com hipoventilação compensatória
EAcidose mista, respiratória e metabólica
Resposta correta: alternativa C
💡 Explicação
A alternativa C está correta. Há acidemia (pH 7,28) com PaCO2 elevada, o que define acidose respiratória. O HCO3- de 30 mEq/L é maior que o esperado numa elevação apenas aguda (cerca de 26 a 27 mEq/L para PaCO2 de 65 mmHg) e menor que o esperado numa compensação crônica plena (cerca de 32 a 33 mEq/L). O pH baixo indica descompensação aguda sobre uma retenção crônica de CO2, padrão típico da exacerbação de DPOC. A alcalose metabólica primária (D) cursaria com pH alcalino, e o bicarbonato elevado afasta acidose metabólica associada (A e E). Na conduta inicial, a oxigenoterapia deve ser controlada (alvo de SpO2 de 88% a 92%), e a ventilação não invasiva deve ser considerada.Questão enviada por Equipe Canetinha ao banco público do Canetinha.