Patologia ClínicaTireoide - interferência da biotina nos imunoensaiosNível 3
Mulher de 34 anos, assintomática, faz exames de rotina. Há 2 meses usa um suplemento com 10 mg/dia de biotina para queda de cabelo. Ao exame, FC de 72 bpm, sem bócio, tremor ou alterações oculares. Os exames, feitos por imunoensaio, são:
- TSH: 0,05 mUI/L (referência: 0,4 a 4,5 mUI/L)
- T4 livre: 3,2 ng/dL (referência: 0,9 a 1,8 ng/dL)
- TRAb: positivo
Qual é a conduta mais adequada?
ADiagnosticar doença de Graves com base no TRAb positivo e encaminhar para tratamento.
BPedir cintilografia de tireoide para confirmar o hipertireoidismo antes de repetir os exames.
CSuspender a biotina e repetir os exames após alguns dias, por possível interferência nos imunoensaios com estreptavidina-biotina.✓ correta
DClassificar o quadro como hipertireoidismo subclínico, pois a paciente está assintomática.
EInterpretar o quadro como síndrome do eutireoidiano doente, que dispensa investigação.
Resposta correta: alternativa C
💡 Explicação
A alternativa C está correta: doses altas de biotina interferem nos imunoensaios que usam ligação estreptavidina-biotina. Nos ensaios tipo sanduíche, como o do TSH, o resultado fica falsamente baixo; nos competitivos, como os de T4 livre e TRAb, fica falsamente alto, e o conjunto imita a doença de Graves. A ausência de sinais clínicos contrasta com os exames e sugere interferência analítica, por isso se suspende a biotina e se repete a dosagem antes de qualquer decisão (em doses altas como 10 mg/dia, recomenda-se suspensão mais prolongada, de até cerca de 1 semana). Diagnosticar Graves ou pedir cintilografia agora (A e B) seria agir sobre resultados possivelmente falsos. Com T4 livre elevado, não se trata de hipertireoidismo subclínico (D), e a síndrome do eutireoidiano doente ocorre em doença sistêmica grave, tipicamente com T3 baixo (E).Questão enviada por Equipe Canetinha ao banco público do Canetinha.