Patologia ClínicaAntibiograma - MRSA e mecanismos de resistênciaNível 2
Homem de 65 anos, internado com cateter venoso central, tem hemocultura positiva para Staphylococcus aureus. O antibiograma, feito por disco-difusão e CIM, mostrou:
- Cefoxitina (disco de triagem): resistente
- Vancomicina: CIM 1 µg/mL (sensível)
- Sulfametoxazol-trimetoprima: sensível
Como o resultado da cefoxitina deve ser interpretado?
AIndica MRSA (presença de mecA/PBP2a): a cepa deve ser considerada resistente à oxacilina e aos betalactâmicos antiestafilocócicos convencionais, como a cefazolina.✓ correta
BA cefoxitina é usada apenas como marcador de ESBL em estafilococos, sem impacto na interpretação da oxacilina.
CA resistência é restrita à cefoxitina, e a cefazolina continua sendo opção porque não foi testada.
DIndica apenas produção de penicilinase, que é contornada por associação de betalactâmico com inibidor de betalactamase.
EIndica produção de carbapenemase, e os carbapenêmicos devem ser relatados como resistentes.
Resposta correta: alternativa A
💡 Explicação
A alternativa A está correta: a cefoxitina é o marcador recomendado (BrCAST/CLSI) para detectar resistência mediada por mecA, que codifica a PBP2a, de baixa afinidade pelos betalactâmicos. Uma cepa resistente à cefoxitina é relatada como MRSA, resistente à oxacilina e aos betalactâmicos convencionais. As exceções são as cefalosporinas com atividade anti-MRSA, como a ceftarolina. Supor que a cefazolina continua ativa porque não foi testada (C) é um erro clássico. Penicilinase (D) não explica a resistência à cefoxitina. ESBL (B) e carbapenemase (E) são mecanismos típicos de bacilos gram-negativos e não fazem parte da interpretação do S. aureus.Questão enviada por Equipe Canetinha ao banco público do Canetinha.