Diagnóstico Clínico por ImagemRadiografia simples no abdome agudo perfurativo: pneumoperitônioNível 1
Homem de 58 anos, em uso crônico de anti-inflamatório não esteroidal para lombalgia, procura o pronto-socorro com dor epigástrica súbita e intensa iniciada há 3 horas, que logo se espalhou para todo o abdome. Ao exame, está taquicárdico, com abdome em tábua e dor à descompressão difusa.
Considerando a hipótese de abdome agudo perfurativo e um serviço com radiologia convencional disponível, qual é o exame inicial mais adequado e o achado esperado?
AUltrassonografia de abdome, mostrando líquido anecoico livre no fundo de saco, achado específico de perfuração de víscera oca
BRadiografia simples de abdome em decúbito dorsal, mostrando múltiplos níveis hidroaéreos dispostos em degraus
CRadiografia de tórax em PA com o paciente em pé, mostrando faixa de hipertransparência em crescente sob as cúpulas diafragmáticas✓ correta
DTomografia de abdome sem contraste, em que a hiperatenuação difusa da gordura mesentérica é o único achado necessário ao diagnóstico
ERessonância magnética de abdome, mostrando hipersinal em T2 na parede gástrica junto ao antro
Resposta correta: alternativa C
💡 Explicação
A alternativa C está correta: o ar livre na cavidade peritoneal sobe para o ponto mais alto, e na radiografia de tórax em PA ortostática aparece como faixa radiotransparente (hipertransparente) em crescente sob as cúpulas diafragmáticas, o que permite detectar pequenos volumes de pneumoperitônio. O ideal é manter o paciente em pé ou sentado por alguns minutos antes do exame; se ele não puder ficar em pé, usa-se o decúbito lateral esquerdo com raios horizontais. Os níveis hidroaéreos em degraus (B) sugerem obstrução intestinal, e não perfuração. Líquido livre na US (A) é inespecífico. A TC é mais sensível e pode ser feita se houver dúvida, mas o diagnóstico se apoia na presença de gás extraluminal, e não apenas na densificação da gordura (D).Questão enviada por Equipe Canetinha ao banco público do Canetinha.