PediatriaViolência contra crianças - maus-tratos e notificaçãoNível 2
Lactente de 4 meses é trazido ao pronto-socorro porque 'não mexe a perna direita'. Os pais contam que ele 'rolou do sofá' há 2 dias. A radiografia mostra fratura espiral do fêmur direito. Ao exame, há equimoses no tórax e no dorso, em diferentes tonalidades. A própria mãe informa que ele ainda não rola sozinho.
Além do tratamento da fratura, qual a conduta correta?
ADar alta após a imobilização, com retorno ambulatorial, já que a suspeita não pode ser confirmada.
BNotificar apenas depois que a perícia do Instituto Médico Legal confirmar a agressão.
CConfrontar os pais, cobrar uma explicação e liberar a criança se a segunda versão da história for coerente.
DRegistrar a suspeita apenas no prontuário, pois o sigilo médico impede a comunicação a terceiros.
EInternar para proteção e investigação (incluindo radiografias do esqueleto e fundoscopia), notificar a suspeita no SINAN e comunicar o Conselho Tutelar.✓ correta
Resposta correta: alternativa E
💡 Explicação
A alternativa E está correta: fratura de fêmur em lactente que ainda não rola, história incompatível com o desenvolvimento, demora para procurar atendimento e equimoses em diferentes estágios indicam fortemente maus-tratos. O ECA (Lei nº 8.069/1990, artigos 13 e 245) obriga o profissional a comunicar ao Conselho Tutelar casos suspeitos ou confirmados, e a violência contra crianças é de notificação compulsória no SINAN. A investigação inclui radiografias do esqueleto e fundoscopia, e a internação garante a proteção da criança. A notificação se baseia na suspeita e não depende de confirmação (A e B). Confrontar os pais (C) pode pôr a criança em risco. O sigilo médico (D) não se aplica, porque o próprio Código de Ética Médica abre exceção para o dever legal e para a proteção da vítima.Questão enviada por Equipe Canetinha ao banco público do Canetinha.