Medicina de Família e Comunidade IISaúde do idoso - benzodiazepínicos, quedas e desmameNível 2
Mulher de 72 anos, viúva, usa clonazepam todas as noites há 8 anos para dormir. Teve duas quedas em casa nos últimos 6 meses, uma com fratura de punho. Diz ter medo de "ficar sem o remédio e não dormir mais". Não tem sinais de depressão nem de ansiedade grave e mora com uma neta.
Qual é a conduta mais adequada?
ASuspender o clonazepam de imediato, pelo risco de novas quedas.
BManter o clonazepam e focar na prevenção de quedas com adaptações em casa e vitamina D.
CTrocar o clonazepam por zolpidem, considerado seguro para idosos.
DPropor, em decisão compartilhada, a retirada gradual do benzodiazepínico ao longo de semanas a meses, junto com higiene do sono ou terapia cognitivo-comportamental para insônia, com seguimento próximo.✓ correta
EEncaminhar ao CAPS AD para manejo da dependência de benzodiazepínico.
Resposta correta: alternativa D
💡 Explicação
A alternativa D está correta: benzodiazepínicos são potencialmente inapropriados em idosos (Beers) e aumentam o risco de quedas e fraturas. Após uso prolongado, a retirada deve ser gradual, combinada com a pessoa e apoiada por medidas não farmacológicas para a insônia, e pode ser conduzida na APS. A suspensão abrupta (A) pode causar abstinência, rebote de insônia e até convulsões. Manter o medicamento (B) deixa a principal causa modificável das quedas. Os fármacos Z (C) têm riscos semelhantes nessa faixa etária. O desmame é competência da APS, e o CAPS AD (E) não é necessário sem outros problemas. Referência: critérios de Beers; Guia de prática clínica em saúde mental na APS; Tratado de MFC.Questão enviada por Equipe Canetinha ao banco público do Canetinha.