Medicina de Família e Comunidade IIAbordagem familiar - ciclo de vidaNível 1
Casal de 30 e 28 anos teve o primeiro filho há três meses. Em consulta de puericultura, a mãe relata que o marido anda irritado, dormindo pouco, e que os dois discutem sobre divisão de tarefas e falta de tempo para o casal. Não há violência, uso de substâncias nem sintomas depressivos persistentes em nenhum dos dois. Ambos relatam que antes do nascimento a relação era boa.
Como a equipe deve interpretar essa situação, segundo o referencial de ciclo de vida familiar?
ACrise normativa, esperada na transição para família com filhos pequenos, a ser abordada com acolhimento e orientação antecipatória.✓ correta
BCrise não normativa, por se tratar de evento inesperado que rompe a organização prévia da família.
CDisfunção familiar grave, que justifica encaminhamento imediato para terapia de casal em serviço especializado.
DProvável episódio depressivo do pai, com indicação de iniciar antidepressivo e reavaliar em quatro semanas.
EConflito conjugal que foge ao escopo da puericultura e deve ser abordado apenas se o casal pedir ajuda.
Resposta correta: alternativa A
💡 Explicação
A alternativa A é correta: o nascimento do primeiro filho é uma transição previsível do ciclo de vida familiar e gera crise normativa, com redistribuição de papéis e tarefas; cabe à APS acolher, normalizar e oferecer orientação antecipatória. A alternativa B confunde com crise não normativa, que decorre de eventos inesperados (doença grave, morte precoce, desemprego). A alternativa D medicaliza um sofrimento esperado sem critérios de transtorno depressivo. As alternativas C e E erram em extremos opostos: encaminhar sem necessidade ou ignorar a orientação familiar, atributo da APS. Referência: Tratado de MFC (abordagem familiar; Carter e McGoldrick).Questão enviada por Equipe Canetinha ao banco público do Canetinha.