Medicina de Família e Comunidade IISintomas medicamente não explicados - pessoas que consultam com frequênciaNível 2
Mulher de 42 anos, diarista, separada há pouco tempo e cuidadora da mãe acamada, teve 14 consultas na UBS no último ano por dores difusas, cansaço, palpitações e desconforto abdominal, atendida por profissionais diferentes. Já fez hemograma, TSH, eletrocardiograma, endoscopia e ultrassonografia abdominal, todos normais, e não há sinais de alarme. Hoje pede "um exame do corpo inteiro para descobrir o que tem". Na reunião de equipe, o caso é discutido.
Qual é a abordagem mais adequada?
ASolicitar ressonância de corpo inteiro para tranquilizá-la de forma definitiva.
BEncaminhar ao reumatologista e ao cardiologista para afastar doença orgânica.
COferecer consultas regulares agendadas com o mesmo profissional, validar o sofrimento, explorar o contexto psicossocial e trabalhar a reatribuição dos sintomas, evitando novos exames sem sinais de alarme.✓ correta
DOrientar a recepção a limitar o acesso dela à demanda espontânea, pelo uso excessivo do serviço.
EExplicar que os sintomas são psicológicos e encaminhá-la ao psiquiatra.
Resposta correta: alternativa C
💡 Explicação
A alternativa C está correta: para pessoas com sintomas sem explicação médica que consultam com frequência, as melhores estratégias são vínculo com um profissional de referência, consultas programadas (que reduzem a procura por demanda espontânea), validação do sofrimento, atenção ao contexto de vida e reatribuição dos sintomas, aplicando a prevenção quaternária. Mais exames (A) e encaminhamentos (B) reforçam a busca por doença e expõem a falsos positivos e iatrogenia. Restringir o acesso (D) fere a acessibilidade e o vínculo. Dizer que é "psicológico" e encaminhar (E) costuma ser vivido como rejeição e não resolve o problema. Referência: Tratado de MFC (sintomas sem explicação médica); Guia de prática clínica em saúde mental na APS.Questão enviada por Equipe Canetinha ao banco público do Canetinha.