Medicina de Família e Comunidade IIDiabetes mellitus - hipoglicemia e metas no idosoNível 3
Mulher de 81 anos mora com a filha e é acompanhada pela ESF por DM2 há 20 anos, hipertensão e doença renal crônica (TFG estimada de 38 mL/min/1,73 m²). Caiu duas vezes nos últimos meses. Usa metformina e glibenclamida, e a última HbA1c foi de 6,4%. Na visita domiciliar, a filha conta que a mãe tem tido episódios de suor frio e confusão de madrugada, e que em um deles a glicemia capilar foi de 52 mg/dL.
Qual é a conduta mais adequada?
AManter o esquema, pois a HbA1c está na meta, e orientar um lanche antes de dormir.
BAumentar a metformina e suspender a ceia para evitar ganho de peso.
CSuspender a glibenclamida, adotar meta glicêmica menos rigorosa (HbA1c em torno de 8%), ajustar a metformina à função renal e orientar a família a reconhecer e tratar hipoglicemia.✓ correta
DSubstituir a glibenclamida por insulina NPH para um controle glicêmico mais fino.
EEncaminhar ao endocrinologista e pedir monitorização contínua de glicose antes de mudar qualquer medicamento.
Resposta correta: alternativa C
💡 Explicação
A alternativa C está correta: para uma idosa frágil, com DRC, quedas e hipoglicemias, a meta deve ser individualizada e menos rigorosa, e a glibenclamida (sulfonilureia de ação longa, listada nos critérios de Beers) deve ser suspensa. A metformina precisa de ajuste com TFG entre 30 e 45. Manter o esquema porque a HbA1c está na meta (A) ignora que esse controle está causando dano. Trocar por insulina (D) mantém o risco de hipoglicemia e a meta inadequada. Exigir exame especializado antes de agir (E) atrasa uma desprescrição urgente e simples. Referência: Diretriz da SBD (idosos); critérios de Beers; Tratado de MFC.Questão enviada por Equipe Canetinha ao banco público do Canetinha.