Medicina de Família e Comunidade IIHipertensão arterial - adesão e acompanhamentoNível 2
Mulher de 58 anos, diarista, acompanhada na ESF por hipertensão há 6 anos. Tem prescritos losartana e anlodipino em doses plenas. Nas três últimas consultas e na MRPA, as médias ficaram em torno de 156/96 mmHg. Quando o médico pergunta como ela toma os remédios, ela diz que "toma quando lembra", que às vezes sai cedo para trabalhar sem tomar e que em alguns meses não conseguiu buscar o remédio na farmácia.
Qual é o próximo passo mais adequado?
AAcrescentar espironolactona, pois o quadro caracteriza hipertensão resistente.
BSolicitar dosagem de aldosterona e renina para investigar hiperaldosteronismo primário.
CEncaminhar ao cardiologista, pois a pressão não foi controlada com duas classes de medicamentos.
DTrocar a losartana por enalapril, pois o bloqueador do receptor de angiotensina pode ter perdido o efeito.
EExplorar com ela as barreiras à adesão e montar um plano conjunto (simplificar horários, associação em dose fixa, apoio do ACS e da farmácia) antes de intensificar o tratamento.✓ correta
Resposta correta: alternativa E
💡 Explicação
A alternativa E está correta: a causa mais comum de pressão não controlada na APS é a baixa adesão (pseudorresistência), e o caso deixa isso explícito. A conduta é entender as barreiras, simplificar o esquema e usar o trabalho em equipe antes de acrescentar fármacos. Hipertensão resistente (A) só se define com três classes, incluindo diurético, em doses adequadas e com boa adesão. Investigar hipertensão secundária (B) e encaminhar ao especialista (C) antes de afastar a má adesão são uso irracional de recursos. Trocar losartana por enalapril (D) não resolve o problema real. Referência: Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial (SBC, 2020); CAB 37 (MS); Tratado de MFC.Questão enviada por Equipe Canetinha ao banco público do Canetinha.