GeriatriaDiabetes no idoso: metas conforme funcionalidade e risco de hipoglicemiaNível 2
Mulher de 84 anos, com demência moderada, é dependente para as atividades instrumentais e para o banho e mora com a filha. Tem diabetes tipo 2 há 20 anos e usa glibenclamida 10 mg/dia. A hemoglobina glicada é de 7,9%. A filha relata episódios de sudorese, tremores e confusão de madrugada, que melhoram depois que ela dá suco à mãe.
Qual é a conduta mais adequada?
AIntensificar o tratamento para atingir hemoglobina glicada abaixo de 6,5%, para prevenir complicações crônicas.
BManter a glibenclamida e acrescentar insulina NPH ao deitar, para controlar melhor a glicemia noturna.
CAumentar a dose da glibenclamida, pois a hemoglobina glicada está acima da meta usada para o adulto.
DFlexibilizar a meta glicêmica, suspender a glibenclamida e, se preciso, usar fármaco de baixo risco de hipoglicemia.✓ correta
EAdotar as mesmas metas do adulto jovem, pois a idade e a funcionalidade não devem mudar a decisão terapêutica.
Resposta correta: alternativa D
💡 Explicação
A alternativa D está correta: em idosos com demência, dependência funcional e expectativa de vida reduzida, as diretrizes da SBD e da ADA recomendam metas glicêmicas individualizadas e menos rígidas, e a prioridade passa a ser evitar hipoglicemias e sintomas de hiperglicemia. A glibenclamida é uma sulfonilureia de longa ação, potencialmente inapropriada para idosos pelos critérios de Beers, e é a provável causa dos episódios noturnos, que podem precipitar quedas, arritmias e piora cognitiva. Se ainda for preciso tratar depois de suspendê-la, prefere-se um fármaco de baixo risco de hipoglicemia, como a metformina com a dose ajustada à função renal, ou um inibidor da DPP-4. Metas rígidas (A e E) aumentam o risco de hipoglicemia sem benefício no horizonte de tempo dessa paciente. Aumentar a sulfonilureia (C) ou acrescentar insulina (B) agravariam o problema central.Questão enviada por Equipe Canetinha ao banco público do Canetinha.