GeriatriaPolifarmácia: cascata iatrogênica e desprescriçãoNível 2
Mulher de 78 anos iniciou anlodipino 10 mg/dia para hipertensão. Dois meses depois, apresentou edema bilateral de tornozelos, sem dispneia, e outro profissional prescreveu furosemida. Em seguida, passou a ter urgência e perda urinária, e foi acrescentada oxibutinina. Agora a filha relata que a mãe está mais esquecida e constipada. O exame cardiopulmonar é normal.
Qual é a interpretação e a conduta mais adequadas?
ACascata iatrogênica: revisar o anlodipino (reduzir a dose ou trocar a classe) e desprescrever a furosemida e a oxibutinina.✓ correta
BInsuficiência cardíaca incipiente: manter o anlodipino, aumentar a furosemida e solicitar ecocardiograma.
CEdema e incontinência próprios da senescência: manter os fármacos e orientar elevação dos membros inferiores.
DEfeito adverso isolado da furosemida: suspender apenas o diurético e manter a oxibutinina para a incontinência.
EInício de síndrome demencial: manter a prescrição atual e acrescentar um inibidor da acetilcolinesterase.
Resposta correta: alternativa A
💡 Explicação
A alternativa A está correta: o edema periférico é um efeito adverso conhecido do anlodipino, dependente da dose. Ele foi interpretado como nova doença e tratado com furosemida, cuja diurese provocou urgência urinária, tratada com oxibutinina, um anticolinérgico que causa constipação e piora cognitiva. Isso é uma cascata iatrogênica, e a conduta é revisar o fármaco que a iniciou e desprescrever os que foram acrescentados por causa dele. A alternativa B trata o edema como insuficiência cardíaca sem dispneia nem achados ao exame. A alternativa D mantém a oxibutinina, que é potencialmente inapropriada pelos critérios de Beers e explica a piora cognitiva. Iniciar anticolinesterásico (E) somaria mais um medicamento à cascata.Questão enviada por Equipe Canetinha ao banco público do Canetinha.