GeriatriaDiagnóstico diferencial: delirium, demência e depressão (pseudodemência)Nível 2
Homem de 72 anos, viúvo há quatro meses, procura a Unidade Básica de Saúde sozinho dizendo que "a memória acabou". Relata insônia, perda do prazer pelas atividades e emagrecimento de 3 kg no período. Os sintomas começaram de forma relativamente definida após a morte da esposa. No MEEM, responde "não sei" a várias perguntas sem tentar, e o desempenho varia de um item para outro. A GDS-15 indica sintomas depressivos importantes. Está alerta e atento durante toda a consulta.
Qual é a conduta mais adequada?
ADiagnosticar doença de Alzheimer pelo MEEM alterado e iniciar um inibidor da acetilcolinesterase.
BConsiderar delirium pela mudança recente do comportamento e investigar uma infecção oculta.
CTranquilizar o paciente, pois o quadro corresponde a luto normal e a esquecimentos da senescência.
DSolicitar ressonância de crânio e só tratar algum quadro psiquiátrico se o exame vier normal.
ETratar a síndrome depressiva com comprometimento cognitivo e reavaliar a cognição após a resposta.✓ correta
Resposta correta: alternativa E
💡 Explicação
A alternativa E está correta: queixa ativa e enfática de memória, início datado após uma perda, respostas "não sei" com pouco esforço, desempenho irregular e sintomas depressivos claros sugerem comprometimento cognitivo associado à depressão (pseudodemência). A conduta é tratar a depressão e reavaliar a cognição depois, pois parte desses pacientes evolui para demência e precisa de seguimento. Diagnosticar Alzheimer apenas pelo MEEM (A) ignora o padrão do quadro e a interferência do humor no teste. Não há desatenção nem flutuação que sugiram delirium (B), já que o paciente está alerta e atento. Considerar o quadro luto normal (C) subestima anedonia, insônia e perda de peso persistentes, que configuram depressão a ser tratada.Questão enviada por Equipe Canetinha ao banco público do Canetinha.