GeriatriaDelirium: fatores predisponentes e precipitantes; pneumonia atípica no idosoNível 2
Mulher de 86 anos, com diagnóstico de doença de Alzheimer leve, mora com a filha e é independente para as atividades básicas de vida diária. Há dois dias está confusa, desatenta e agitada à noite. A filha nega febre e tosse. Ao exame: temperatura de 36,8 °C, frequência respiratória de 26 irpm, SpO2 de 91% em ar ambiente e estertores crepitantes na base pulmonar direita.
Qual é a interpretação mais adequada do quadro?
AProgressão da doença de Alzheimer, sendo indicado aumentar a dose do anticolinesterásico.
BA demência é fator predisponente e a provável pneumonia é o fator precipitante do delirium, cuja causa deve ser investigada e tratada.✓ correta
CA ausência de febre e de tosse praticamente exclui infecção, e a tomografia de crânio deve ser o primeiro exame.
DAgitação noturna esperada na demência, que deve ser tratada com antipsicótico, aguardando-se a evolução.
EDelirium sem causa orgânica identificável, devendo-se priorizar a avaliação psiquiátrica de urgência.
Resposta correta: alternativa B
💡 Explicação
A alternativa B está correta: a demência é o principal fator predisponente de delirium, e a mudança aguda do quadro exige a busca de um fator precipitante, aqui sugerido por taquipneia, hipoxemia e crepitações. No idoso, a pneumonia muitas vezes se apresenta de forma atípica, sem febre ou tosse, e o delirium pode ser a primeira manifestação. Por isso a alternativa C erra, pois a ausência de febre não afasta infecção. A alternativa A atribui uma piora aguda à evolução da demência, que é lenta, e deixa de lado a causa tratável. Usar antipsicótico e aguardar (D) trata o sintoma e atrasa o tratamento da pneumonia.Questão enviada por Equipe Canetinha ao banco público do Canetinha.