Farmacologia Clínica IAntitireoidianos na gestaçãoNível 2
Mulher de 26 anos recebeu diagnóstico de doença de Graves há dois meses e usa metimazol 20 mg/dia. Ainda tem palpitações leves, T4 livre discretamente acima do limite superior e anticorpo antirreceptor de TSH (TRAb) elevado. Descobre gestação de seis semanas e procura a consulta de pré-natal.
Qual é a conduta mais adequada em relação ao antitireoidiano?
AManter o metimazol na mesma dose durante toda a gestação, por ter menor hepatotoxicidade
BTrocar por propiltiouracil no primeiro trimestre, pelo risco teratogênico do metimazol✓ correta
CSuspender o antitireoidiano e indicar iodo radioativo como tratamento definitivo
DTrocar por levotiroxina em dose supressiva para inibir a produção de TSH
ESuspender o metimazol e manter apenas propranolol como tratamento até o parto
Resposta correta: alternativa B
💡 Explicação
A alternativa B está correta. Metimazol e propiltiouracil inibem a tireoperoxidase, mas o metimazol usado na organogênese (sobretudo entre a 6ª e a 10ª semana) associa-se a malformações como aplasia cútis e atresia de cóanas e de esôfago; por isso, em gestante com hipertireoidismo ativo, troca-se por propiltiouracil no primeiro trimestre e, depois, considera-se voltar ao metimazol, pelo risco de hepatotoxicidade grave do propiltiouracil. Aqui não cabe suspender o antitireoidiano, porque a doença está ativa e o TRAb está elevado. O iodo radioativo é contraindicado na gestação, e a levotiroxina não trata hipertireoidismo. O propranolol controla apenas os sintomas adrenérgicos e não reduz a síntese hormonal.Questão enviada por Equipe Canetinha ao banco público do Canetinha.