Farmacologia Clínica IAntidiabéticos - sulfonilureias e hipoglicemia no idosoNível 2
Mulher de 81 anos, com diabetes tipo 2 e doença renal crônica (TFG estimada de 40 mL/min/1,73 m²), usa glibenclamida 10 mg/dia. A filha relata episódios de confusão e sudorese pela manhã. Numa das crises, a glicemia capilar foi de 42 mg/dL. A hemoglobina glicada é de 6,4%.
Qual alternativa descreve o mecanismo do fármaco e a conduta mais adequada?
AEstimula a liberação de GLP-1 endógeno; trocar por sitagliptina em dose plena
BInibe a gliconeogênese hepática; manter e orientar refeição noturna maior
CFecha canais de K+ dependentes de ATP na célula beta, com ação prolongada; trocar por iDPP-4✓ correta
DAbre canais de K+ dependentes de ATP na célula beta; apenas reduzir a dose à metade
EInibe a alfa-glicosidase intestinal; manter e associar acarbose ao tratamento
Resposta correta: alternativa C
💡 Explicação
As sulfonilureias ligam-se ao receptor SUR1 e fecham os canais de K+ dependentes de ATP da célula beta, despolarizando-a e liberando insulina independentemente da glicemia. A glibenclamida tem ação longa e metabólitos ativos de eliminação renal, o que causa hipoglicemias graves e prolongadas em idosos com doença renal; por isso consta nos critérios de Beers como fármaco a evitar. Com hemoglobina glicada baixa, o ideal é trocar por um fármaco de baixo risco de hipoglicemia, como um iDPP-4 com ajuste renal quando necessário. A abertura dos canais de K+ inibiria a secreção de insulina, e os demais mecanismos pertencem a outras classes (metformina, incretinas, acarbose).Questão enviada por Equipe Canetinha ao banco público do Canetinha.