Farmacologia Clínica IFarmacogenética: polimorfismo do CYP2D6 e codeínaNível 3
Puérpera de 27 anos, em aleitamento materno exclusivo, recebeu codeína associada a paracetamol para dor perineal após parto vaginal com episiotomia. No sétimo dia, o recém-nascido está sonolento, suga mal e apresenta episódios de apneia. A mãe também refere sonolência intensa com as doses habituais. A investigação revela que ela tem duplicação funcional do gene que codifica a enzima responsável pela ativação da codeína.
Qual o fenótipo materno e o mecanismo da toxicidade?
AMetabolizadora lenta do CYP2D6, com acúmulo de codeína inalterada no leite
BMetabolizadora lenta do CYP3A4, com acúmulo de norcodeína no leite materno
CMetabolizadora ultrarrápida do CYP2C19, com formação de metabólito hepatotóxico
DMetabolizadora ultrarrápida do CYP2D6, com conversão aumentada de codeína em morfina✓ correta
EDeficiência de pseudocolinesterase, com prolongamento do efeito da codeína
Resposta correta: alternativa D
💡 Explicação
A codeína é um pró-fármaco ativado pelo CYP2D6 em morfina; a duplicação do gene caracteriza o metabolizador ultrarrápido, que gera morfina em excesso, com toxicidade opioide materna e passagem de morfina ao leite, causando depressão respiratória no lactente. Por esse motivo a codeína deve ser evitada na lactação e em crianças. O metabolizador lento do CYP2D6 tem, ao contrário, pouca analgesia e pouca toxicidade opioide. O CYP3A4 forma a norcodeína, metabólito pouco ativo, e a pseudocolinesterase não participa do metabolismo da codeína.Questão enviada por Equipe Canetinha ao banco público do Canetinha.