Farmacologia Clínica IIdoso: critérios de Beers e carga anticolinérgicaNível 1
Mulher de 80 anos, hipertensa e com bexiga hiperativa em manejo apenas com medidas comportamentais, passou a usar difenidramina 50 mg à noite por insônia. Uma semana depois, a família relata confusão mental flutuante, boca seca, constipação e dificuldade para urinar. Ao exame, está desorientada, com pele seca, pupilas discretamente midriáticas e globo vesical palpável.
Qual a explicação mais provável e a conduta adequada?
AEfeito serotoninérgico central; trocar por outro anti-histamínico de primeira geração
BBloqueio dopaminérgico central; manter o fármaco e associar biperideno
CBloqueio H1 periférico isolado; manter o fármaco e reduzir a dose pela metade
DEfeito alfa-1 adrenérgico vesical; manter o fármaco e associar tansulosina
EBloqueio muscarínico central e periférico; suspender o fármaco, inadequado no idoso✓ correta
Resposta correta: alternativa E
💡 Explicação
A alternativa E está correta: a difenidramina é um anti-histamínico de primeira geração com efeito antimuscarínico marcante, que no idoso causa delirium, retenção urinária, constipação, boca seca, pele seca e midríase. Os critérios de Beers a classificam como potencialmente inadequada para idosos, e a conduta é suspendê-la e tratar a insônia com higiene do sono ou outra abordagem. Trocar por outro anti-histamínico de primeira geração mantém a carga anticolinérgica. O biperideno também é antimuscarínico e pioraria o quadro. Reduzir a dose ou tratar apenas o sintoma urinário não resolve a causa.Questão enviada por Equipe Canetinha ao banco público do Canetinha.