Análise Crítica das EvidênciasCegamento e viés de aferição em ensaios clínicosNível 2
Um ensaio clínico randomizado aberto comparou acupuntura com orientações de autocuidado em adultos com cefaleia do tipo tensional. O desfecho principal foi a intensidade da dor, relatada pelo próprio paciente numa escala de 0 a 10. Os pesquisadores que aplicavam a escala também sabiam a qual grupo cada paciente pertencia. O grupo acupuntura relatou dor significativamente menor.
O principal risco à validade desse resultado é:
AViés de seleção, porque a falta de cegamento invalida a randomização feita no início do estudo.
BNenhum viés relevante, porque a randomização equilibra também as expectativas dos participantes sobre o tratamento.
CConfundimento por indicação, porque os médicos escolheram o tratamento de acordo com a gravidade.
DViés de aferição (informação), porque o conhecimento do grupo pode influenciar o relato e o registro de um desfecho subjetivo.✓ correta
EErro tipo II, porque estudos abertos têm sempre menor poder estatístico que estudos cegos.
Resposta correta: alternativa D
💡 Explicação
A alternativa D está correta: sem cegamento, as expectativas do paciente e do avaliador podem alterar o relato e o registro do desfecho, e esse risco é maior em desfechos subjetivos como a dor. É uma forma de viés de aferição/informação (também chamado de desempenho e de detecção). A alternativa B erra porque a randomização equilibra as características na linha de base, mas não protege contra diferenças na aferição depois que os grupos são conhecidos. A alternativa C não se aplica, pois a alocação foi aleatória. A alternativa E é falsa: o cegamento não determina o poder estatístico.Questão enviada por Equipe Canetinha ao banco público do Canetinha.