Análise Crítica das EvidênciasValidade interna e externa: aplicabilidade a pacientes reaisNível 1
Um ensaio clínico randomizado, duplo-cego e bem conduzido, feito em um hospital universitário, mostrou benefício de um novo hipoglicemiante sobre desfechos cardiovasculares. Os participantes tinham entre 40 e 65 anos, e foram excluídos pacientes com doença renal crônica, insuficiência cardíaca ou uso de mais de três medicamentos. Um médico de uma UBS quer aplicar esse resultado a uma paciente de 82 anos com doença renal crônica moderada e que usa seis medicamentos.
A principal preocupação metodológica do médico, ao transpor o resultado para essa paciente, diz respeito a:
ABaixa validade interna do estudo, porque excluir pacientes com comorbidades torna a randomização inválida.
BViés de publicação, porque estudos com resultado positivo têm maior chance de serem publicados.
CConfundimento, porque a randomização não consegue equilibrar idade e comorbidades entre os grupos.
DValidade nula do estudo, porque ensaios feitos em hospitais universitários não se aplicam à Atenção Primária.
EValidade externa, já que a paciente difere bastante da população estudada e o benefício e a segurança podem não ser os mesmos nela.✓ correta
Resposta correta: alternativa E
💡 Explicação
A alternativa E está correta: o estudo pode ter boa validade interna (resultado confiável para a população estudada) e, ainda assim, validade externa limitada para pacientes muito diferentes dos incluídos, como idosos com doença renal e polifarmácia. Os critérios de exclusão não invalidam a randomização (A); eles restringem a generalização. A alternativa C erra, pois a randomização tende a equilibrar essas características entre os grupos. A alternativa D generaliza indevidamente: o local do estudo, por si só, não anula sua aplicabilidade, que deve ser julgada pela semelhança entre os pacientes.Questão enviada por Equipe Canetinha ao banco público do Canetinha.