Ciclo de Vida IIFinitude: luto normal versus complicadoNível 2
Mulher de 67 anos ficou viúva há 3 meses e vem à consulta na UBS. Chora quando se lembra do marido, tem dificuldade para dormir e às vezes "sente a presença dele" em casa. Conta que em alguns dias sente raiva por ele ter partido e em outros sente uma tristeza profunda. Mantém os cuidados pessoais, voltou a frequentar a igreja, encontra os netos aos fins de semana e nega pensamentos de morte.
Qual é a interpretação mais adequada?
ALuto complicado, porque sentir a presença do falecido indica sintoma psicótico.
BEpisódio depressivo maior, que se diagnostica sempre que há choro e insônia após uma perda.
CLuto normal; as fases de Kübler-Ross são um modelo descritivo e não seguem uma ordem fixa, e cabe à Atenção Primária acompanhar a paciente.✓ correta
DLuto patológico, porque o modelo de Kübler-Ross prevê uma sequência fixa, e alternar entre raiva e tristeza indica que o processo está bloqueado.
ELuto prolongado, porque o luto normal costuma terminar no primeiro mês após a perda.
Resposta correta: alternativa C
💡 Explicação
A alternativa C está correta: tristeza, choro, alteração do sono, raiva e até a sensação passageira da presença do falecido são reações comuns do luto normal nos primeiros meses. Aqui, a funcionalidade está preservada, ela retomou o convívio social e não há ideação suicida. O modelo de Kübler-Ross (negação, raiva, barganha, depressão e aceitação) é descritivo, e as fases podem se sobrepor, alternar ou nem aparecer, por isso a alternativa D está errada. Luto prolongado ou complicado pressupõe sofrimento intenso que persiste por muito mais tempo, em geral 12 meses ou mais em adultos, com prejuízo funcional, o que torna E errada. Sentir a presença do falecido não é, sozinho, sintoma psicótico (A), e choro com insônia após uma perda não basta para diagnosticar depressão (B). O papel da Atenção Primária é acolher, acompanhar e reconhecer sinais de desvio.Questão enviada por Equipe Canetinha ao banco público do Canetinha.