Ética MédicaMorte encefálica: pré-requisitos e etapas (Resolução CFM 2.173/2017)Nível 2
Um homem de 32 anos está na UTI após traumatismo cranioencefálico grave por acidente de moto, com lesão confirmada na tomografia. Está em coma, sem reflexos de tronco aparentes, em uso contínuo de midazolam e fentanil desde a admissão, com temperatura corporal de 34 °C. O plantonista sugere abrir imediatamente o protocolo de morte encefálica, já que "a lesão é evidente".
De acordo com os critérios da Resolução CFM 2.173/2017, qual é a conduta correta?
AAbrir o protocolo agora, pois a lesão encefálica tem causa conhecida e o exame clínico já é compatível.
BAbrir o protocolo apenas se a família manifestar interesse em doar os órgãos.
CDispensar os exames clínicos e o teste de apneia e confirmar o diagnóstico só com o exame complementar.
DAinda não iniciar o protocolo: corrigir a hipotermia, suspender a sedação e aguardar o tempo necessário para afastar esses fatores de confusão, mantendo o suporte.✓ correta
EDeclarar a morte encefálica com base em um único exame clínico, pois o paciente não tem reflexos de tronco.
Resposta correta: alternativa D
💡 Explicação
A alternativa D está correta: o protocolo de morte encefálica só pode ser iniciado quando os pré-requisitos estão presentes, entre eles a ausência de fatores tratáveis que possam confundir o diagnóstico, como hipotermia e uso de depressores do sistema nervoso central. Por isso, a equipe deve primeiro corrigir esses fatores e manter o suporte. A causa conhecida da lesão não basta (A). O diagnóstico exige dois exames clínicos feitos por médicos diferentes, teste de apneia e exame complementar, o que invalida as alternativas C e E. O protocolo é obrigatório em todo paciente com suspeita de morte encefálica, independentemente da doação (B).Questão enviada por Equipe Canetinha ao banco público do Canetinha.