Farmacologia GeralAINEs: coxibes e risco cardiovascular (balanço PGI2/TXA2)Nível 3
Uma mulher de 62 anos com osteoartrite e antecedente de úlcera péptica recebe um coxibe, um inibidor seletivo da COX-2, para reduzir o risco gastrointestinal. No endotélio vascular, a prostaciclina (PGI2) tem ação vasodilatadora e antiagregante. Na plaqueta, o tromboxano A2 tem ação pró-agregante e vasoconstritora e é formado pela COX-1.
Com base nesse balanço, qual mecanismo explica o aumento do risco de eventos trombóticos cardiovasculares associado aos coxibes?
AInibem a COX-1 plaquetária com mais intensidade que o ácido acetilsalicílico e causam disfunção plaquetária
BDesviam o ácido araquidônico para a via da lipo-oxigenase, com excesso de leucotrienos que formam o trombo
CBloqueiam os receptores do tromboxano no endotélio e eliminam a vasodilatação compensatória
DInibem de forma irreversível a COX-2 das plaquetas, que passam a produzir tromboxano de forma descontrolada
EReduzem a PGI2 endotelial, derivada em grande parte da COX-2, sem reduzir o tromboxano A2 plaquetário derivado da COX-1, o que favorece agregação e vasoconstrição✓ correta
Resposta correta: alternativa E
💡 Explicação
A alternativa E está correta: no endotélio, boa parte da prostaciclina é produzida pela COX-2, sobretudo sob estresse de cisalhamento. O coxibe reduz a PGI2, mas não toca na COX-1 plaquetária, que continua produzindo tromboxano A2. O balanço se desloca para a agregação e a vasoconstrição, o que explica o maior risco de infarto e AVC. A mesma seletividade que poupa a COX-1 da mucosa gástrica (prostaglandinas protetoras) é que cria o problema cardiovascular. A alternativa A inverte o mecanismo, pois os coxibes não inibem a COX-1 de forma relevante. A alternativa D está errada porque a plaqueta madura praticamente não usa a COX-2, e os coxibes são inibidores reversíveis.Questão enviada por Equipe Canetinha ao banco público do Canetinha.