BioquímicaDiabetes: glicação não enzimática e hemoglobina glicadaNível 1
Uma mulher de 58 anos com diabetes mellitus tipo 2 diz que as glicemias de jejum que mede em casa variam bastante de um dia para outro. O médico solicita hemoglobina glicada (HbA1c), cujo resultado é 8,5%. Para diagnóstico de diabetes, o ponto de corte usado no Brasil é igual ou maior que 6,5%.
Qual afirmação descreve corretamente a base bioquímica desse exame?
AA HbA1c resulta da fosforilação enzimática da hemoglobina estimulada pela insulina e mede a sensibilidade das hemácias a esse hormônio.
BA HbA1c resulta da glicação não enzimática e praticamente irreversível de grupos amino da hemoglobina pela glicose, e reflete a glicemia média de cerca de 2 a 3 meses.✓ correta
CA HbA1c reflete apenas a glicemia das últimas 24 a 48 horas, porque a glicose se desliga rapidamente da hemoglobina.
DA HbA1c corresponde à glicose ligada de forma reversível ao ferro do heme e reflete a glicemia no momento da coleta.
EA HbA1c resulta da glicosilação enzimática da globina no complexo de Golgi do eritroblasto e reflete a glicemia da medula óssea.
Resposta correta: alternativa B
💡 Explicação
A alternativa B está correta: a glicose reage sem participação de enzima com grupos amino livres da hemoglobina, sobretudo a valina N-terminal da cadeia beta. Forma-se primeiro uma base de Schiff, que sofre um rearranjo para um produto estável (produto de Amadori). Quanto maior e mais prolongada a glicemia, maior a fração glicada. Como a hemácia vive cerca de 120 dias, o exame reflete a média dos últimos 2 a 3 meses e é menos afetado pelas oscilações diárias. As alternativas A e E falam de processos enzimáticos, um erro conceitual: a glicação não é catalisada por enzimas. As alternativas C e D descrevem uma ligação rápida e reversível, o que contradiz a natureza estável do produto de Amadori.Questão enviada por Equipe Canetinha ao banco público do Canetinha.