LinguagensENEM 2023Nível 3

TEXTO I
Logo no início de Gira, um grupo de sete bailarinas ocupa o centro da cena. Mãos cruzadas sobre a lateral esquerda do quadril, olhos fechados, troncos que pendulam sobre si mesmos em vaguíssimas órbitas, tudo nelas sugere o transe. Está estabelecido o caráter volátil do que se passará no palco dali para frente. Mas engana-se quem pensa que vai assistir a uma representação mimética dos cultos afro-brasileiros.
TEXTO II
[Imagem: fotografia de bailarinos do espetáculo Gira, do Grupo Corpo, dançando em cena.]
Disponível em: www.grupocorpo.com.br. Acesso em: 2 jul. 2019.
No diálogo que estabelece com religiões afro-brasileiras, sintetizado na descrição e na imagem do espetáculo, a dança exprime uma
Disponível em: www.grupocorpo.com.br. Acesso em: 2 jul. 2019.
Fonte: ENEM 2023 · questão 34 · INEP.
Acrítica aos movimentos padronizados do balé clássico.
Brepresentação contemporânea de rituais ancestrais extintos.
Creelaboração estética erudita de práticas religiosas populares.✓ correta
Dreleitura irônica da atmosfera mística presente no culto a entidades.
Eoposição entre o resgate de tradições e a efemeridade da vida humana.
Resposta correta: alternativa C
💡 Explicação
O Grupo Corpo é uma companhia de dança contemporânea de linguagem erudita, e o espetáculo Gira parte de elementos dos cultos afro-brasileiros — o transe, os corpos que pendulam, as saias brancas rodadas que se veem em cena. O próprio texto avisa que não se trata de "representação mimética" (cópia fiel) dos cultos: a religiosidade popular é transformada em linguagem coreográfica de palco, ou seja, uma reelaboração estética erudita de práticas religiosas populares. Não há ironia (D) nem crítica ao balé clássico (A), e os rituais de umbanda e candomblé não estão extintos (B) — há diálogo respeitoso, não deboche.Questão enviada por Marcelo Merreles ao banco público do Canetinha.