LinguagensENEM 2015Nível 3
Carta ao Tom 74
Rua Nascimento Silva, cento e sete
Você ensinando pra Elizete
As canções de canção do amor demais
Lembra que tempo feliz
Ah, que saudade,
Ipanema era só felicidade
Era como se o amor doesse em paz
Nossa famosa garota nem sabia
A que ponto a cidade turvaria
Esse Rio de amor que se perdeu
Mesmo a tristeza da gente era mais bela
E além disso se via da janela
Um cantinho de céu e o Redentor
É, meu amigo, só resta uma certeza,
É preciso acabar com essa tristeza
É preciso inventar de novo o amor
MORAES, V.; TOQUINHO. Bossa Nova, sua história, sua gente. São Paulo: Universal; Philips, 1975 (fragmento).
O trecho da canção de Toquinho e Vinícius de Moraes apresenta marcas do gênero textual carta, possibilitando que o eu poético e o interlocutor
Fonte: ENEM 2015 · questão 101 · INEP.
Acompartilhem uma visão realista sobre o amor em sintonia com o meio urbano.
Btroquem notícias em tom nostálgico sobre as mudanças ocorridas na cidade.✓ correta
Cfaçam confidências, uma vez que não se encontram mais no Rio de Janeiro.
Dtratem pragmaticamente sobre os destinos do amor e da vida citadina.
Eaceitem as transformações ocorridas em pontos turísticos específicos.
Resposta correta: alternativa B
💡 Explicação
A letra da canção imita uma carta: começa com o endereço do destinatário ("Rua Nascimento Silva, cento e sete"), chama o interlocutor de "meu amigo" e relembra momentos vividos juntos. O tom é claramente nostálgico — "que saudade, Ipanema era só felicidade" — e o eu poético conta ao amigo como a cidade mudou para pior ("a que ponto a cidade turvaria"), ou seja, troca notícias saudosas sobre as transformações do Rio. Por isso a B é a correta: não há pragmatismo (D) nem aceitação das mudanças (E) — pelo contrário, há tristeza e desejo de "inventar de novo o amor".Questão enviada por Marcelo Merreles ao banco público do Canetinha.