LinguagensENEM 2009Nível 3
Canção do vento e da minha vida
O vento varria as folhas,
O vento varria os frutos,
O vento varria as flores...
E a minha vida ficava
Cada vez mais cheia
De frutos, de flores, de folhas.
[...]
O vento varria os sonhos
E varria as amizades...
O vento varria as mulheres...
E a minha vida ficava
Cada vez mais cheia
De afetos e de mulheres.
O vento varria os meses
E varria os teus sorrisos...
O vento varria tudo!
E a minha vida ficava
Cada vez mais cheia
De tudo.
BANDEIRA, M. Poesia completa e prosa. Rio de Janeiro: José Aguilar, 1967.
Na estruturação do texto, destaca-se
Fonte: ENEM 2009 · questão 117 · INEP.
Aa construção de oposições semânticas.
Ba apresentação de ideias de forma objetiva.
Co emprego recorrente de figuras de linguagem, como o eufemismo.
Da repetição de sons e de construções sintáticas semelhantes.✓ correta
Ea inversão da ordem sintática das palavras.
Resposta correta: alternativa D
💡 Explicação
O poema de Manuel Bandeira se constrói sobre a repetição: 'O vento varria...' abre quase todos os versos (anáfora), e cada estrofe segue o mesmo molde sintático ('O vento varria X / E a minha vida ficava / Cada vez mais cheia de...'). Essa repetição de sons e de estruturas parecidas cria o ritmo e o efeito de acúmulo do texto — por isso a alternativa D. Note que não há eufemismo (C) nem inversão marcante da ordem das palavras (E); e a oposição entre 'varrer' e 'ficar cheia' existe, mas não é o traço que organiza a estrutura do poema, que é a repetição.Questão enviada por Marcelo Merreles ao banco público do Canetinha.