Atenção Primária e Saúde da FamíliaFeridas crônicas na APS - úlcera venosaNível 3
Dona Lurdes, 68 anos, recebe acompanhamento de enfermagem na UBS por uma ferida na região maleolar medial da perna esquerda há 8 meses. A perna tem edema que piora no fim do dia, pele com pigmentação acastanhada e endurecida ao redor da lesão. O leito da ferida tem tecido de granulação vermelho-vivo e exsudato moderado, sem sinais de infecção. Os pulsos pediosos são palpáveis e o índice tornozelo-braço (ITB) é 0,9.
Qual é o plano de cuidado mais adequado?
AContraindicar qualquer compressão, pois úlceras com exsudato não toleram bandagens, e orientar repouso com as pernas pendentes.
BDesbridar instrumentalmente o tecido de granulação para estimular a cicatrização e aplicar antisséptico iodado diariamente.
CLimpar com soro fisiológico, usar cobertura adequada ao exsudato e iniciar terapia compressiva (como a bota de Unna), associada a elevação dos membros e caminhadas.✓ correta
DIndicar terapia compressiva apenas se o ITB for menor que 0,5, porque isso confirma a origem venosa da úlcera.
EManter a ferida exposta ao ar para secar o exsudato e reavaliar mensalmente.
Resposta correta: alternativa C
💡 Explicação
A alternativa C está correta: localização maleolar medial, edema vespertino, hiperpigmentação e endurecimento da pele indicam úlcera venosa. Com ITB de 0,9, doença arterial significativa está afastada, e a terapia compressiva é a base do tratamento, junto com limpeza com soro fisiológico, cobertura adequada ao exsudato, elevação dos membros e caminhadas. A alternativa D inverte a lógica: ITB baixo indica doença arterial, situação em que a compressão é contraindicada ou exige cautela. O tecido de granulação é saudável e não deve ser desbridado, e o antisséptico de rotina pode prejudicar a cicatrização (B). Pernas pendentes (A) pioram o edema, e deixar a ferida exposta (E) contraria o princípio do meio úmido.Questão enviada por Equipe Canetinha ao banco público do Canetinha.