Atenção Primária e Saúde da FamíliaPuerpério na APS - depressão pós-partoNível 2
Juliana, 27 anos, está com 5 semanas de pós-parto e recebe visita domiciliar da enfermeira. Ela conta que, há cerca de 3 semanas, sente tristeza na maior parte do dia, chora com frequência, perdeu o interesse pelas coisas de que gostava, sente culpa por "não ser boa mãe" e não consegue dormir mesmo quando o bebê dorme. Quando perguntada, nega pensamentos de se machucar ou de machucar o bebê. Amamenta exclusivamente.
Qual é a conduta mais adequada da enfermeira?
AReconhecer sinais sugestivos de depressão pós-parto, aplicar instrumento de rastreamento como a Escala de Edimburgo, garantir avaliação na UBS e discussão em equipe com apoio matricial, e mobilizar a rede de apoio familiar.✓ correta
BTranquilizar a puérpera, explicando que se trata de tristeza materna (baby blues), que melhora sozinha sem acompanhamento.
COrientar suspender a amamentação para que ela possa descansar mais à noite e melhorar o humor.
DEncaminhar imediatamente para internação psiquiátrica, por se tratar de psicose puerperal.
EPrescrever antidepressivo compatível com a amamentação e reavaliar na consulta de puericultura do sexto mês.
Resposta correta: alternativa A
💡 Explicação
A alternativa A está correta: humor deprimido, perda de interesse, culpa e insônia por mais de duas semanas são sinais sugestivos de depressão pós-parto. Segundo o Ministério da Saúde, cabe à equipe rastrear com instrumento validado, como a Escala de Edimburgo, garantir avaliação clínica, discutir o caso em equipe com apoio matricial (eMulti ou CAPS) e envolver a rede de apoio. O baby blues (B) é transitório e costuma melhorar em cerca de duas semanas, o que não é o caso. Suspender a amamentação (C) não trata o quadro e traz prejuízos. Não há alucinações ou delírios que sugiram psicose (D). A prescrição de antidepressivo (E) não é atribuição do enfermeiro fora de protocolo, e o retorno no sexto mês seria tardio demais.Questão enviada por Equipe Canetinha ao banco público do Canetinha.