ParasitologiaStrongyloides stercoralis: hiperinfecção em imunossuprimidosNível 3
Um paciente de 58 anos, nascido em área rural, usa prednisona em dose alta há dois meses para tratar uma doença autoimune. Ele é internado com dor abdominal, vômitos, tosse e infiltrado pulmonar difuso. As hemoculturas são positivas para Escherichia coli, e há larvas de Strongyloides stercoralis no escarro.
Qual alternativa explica corretamente a relação entre os achados?
AO corticoide favorece a autoinfecção acelerada, e as larvas filarioides atravessam a parede intestinal levando bactérias entéricas para a circulação.✓ correta
BO corticoide estimula a produção de ovos pelo verme macho, que são eliminados pelo escarro e causam a sepse.
CA infecção resulta obrigatoriamente de nova exposição recente ao solo, pois o parasito não persiste no organismo por anos.
DAs larvas no escarro indicam apenas contaminação da amostra por fezes, sem significado clínico para o paciente.
EA sepse por bactéria gram-negativa não tem relação com a estrongiloidíase e se explica apenas pela imunossupressão.
Resposta correta: alternativa A
💡 Explicação
A alternativa A está correta: o Strongyloides stercoralis faz autoinfecção, ou seja, as larvas viram filarioides infectantes dentro do próprio hospedeiro e reinvadem a mucosa. Por isso ele pode persistir por décadas. Com a imunossupressão, principalmente por corticoide, esse processo se acelera (hiperinfecção e disseminação), e as larvas que atravessam o intestino carregam bactérias entéricas, o que causa sepse e meningite por gram-negativos. Por esse motivo, pacientes de áreas endêmicas devem ser investigados antes de iniciar corticoterapia. A C erra justamente porque a autoinfecção dispensa nova exposição. A D erra porque larvas no escarro indicam migração pulmonar e doença disseminada. A B erra porque, no hospedeiro humano, quem se reproduz é a fêmea partenogenética, e não o macho.Questão enviada por Equipe Canetinha ao banco público do Canetinha.