Sociologia e Antropologia da SaúdeEtnocentrismo, relativismo cultural e modelos explicativosNível 2
Lurdes, 68 anos, moradora de comunidade rural, levou o neto de 2 anos, com diarreia há dois dias, primeiro à benzedeira, pois acredita que a criança está com "quebranto". Depois foi à Unidade Básica. Na recepção, uma profissional comentou: "Isso é ignorância, tem que proibir essa gente de ir à benzedeira".
A conduta da equipe mais coerente com a antropologia da saúde e com o cuidado integral é:
Aexplicar à avó que a crença é um atraso cultural e que ela deve abandonar a benzedeira para não prejudicar a criança
Baceitar a benzeção como único cuidado necessário, pois toda prática cultural deve ser respeitada sem nenhum limite
Creconhecer a benzeção como parte do modelo explicativo da família, dialogar sem desqualificá-la e negociar os cuidados oferecidos pela unidade✓ correta
Dencaminhar o caso ao conselho tutelar, já que recorrer a práticas populares de cura configura negligência
Eregistrar a crença como fator de risco individual e excluir a família das ações educativas até que mude de opinião
Resposta correta: alternativa C
💡 Explicação
A alternativa C está correta: a antropologia da saúde, com autores como Arthur Kleinman e, no Brasil, Esther Jean Langdon, mostra que as pessoas interpretam a doença a partir de modelos explicativos culturais, e o cuidado efetivo depende de diálogo entre esses modelos e o saber biomédico. O relativismo cultural orienta compreender a prática em seu contexto, mas encontra limite na proteção da vida e dos direitos da criança, por isso a equipe negocia o cuidado. A alternativa A expressa etnocentrismo e tende a afastar a família do serviço. A alternativa B adota um relativismo absoluto que ignora a necessidade de cuidado da criança, e a D trata como negligência uma família que procurou a unidade.Questão enviada por Equipe Canetinha ao banco público do Canetinha.