Sociologia e Antropologia da SaúdeDurkheim: anomia e suicídioNível 2
Em um município pequeno, a única fábrica fechou e mais de mil pessoas perderam o emprego. Nos dois anos seguintes, a equipe da Unidade Básica de Saúde percebeu aumento de tentativas de suicídio e do consumo abusivo de álcool. Muitas famílias se mudaram, a associação de moradores encerrou as atividades e os antigos colegas de trabalho deixaram de se encontrar.
Na perspectiva de Émile Durkheim, autor de um estudo clássico sobre o suicídio como fenômeno social, essa situação é melhor interpretada pelo conceito de:
Aalienação, pois os trabalhadores deixaram de se reconhecer no produto do próprio trabalho
Bestigma, pois os desempregados passaram a carregar um atributo que os desqualifica socialmente
Cdominação tradicional, pois a comunidade perdeu a autoridade legitimada pelo costume
Danomia, enfraquecimento das normas e dos vínculos que integram e regulam os indivíduos em períodos de mudança social brusca✓ correta
Epapel de doente, pois o sofrimento passou a ser reconhecido e isentou os moradores de suas obrigações
Resposta correta: alternativa D
💡 Explicação
A alternativa D está correta: para Durkheim, o suicídio tem causas sociais e cresce quando a sociedade perde a capacidade de integrar e regular os indivíduos, situação que ele chamou de anomia, típica de crises econômicas e mudanças bruscas. O fechamento da fábrica desfez laços de trabalho e comunitários, exatamente o enfraquecimento descrito. A alternativa A usa um conceito de Marx ligado ao processo de trabalho, e aqui as pessoas estão justamente sem trabalho. A alternativa B traz um conceito de Goffman sobre identidade deteriorada, que não explica a ruptura coletiva das normas. A alternativa E usa Parsons de forma equivocada, pois não há reconhecimento social de doença isentando obrigações.Questão enviada por Equipe Canetinha ao banco público do Canetinha.