Microbiologia MédicaAntifúngicos - equinocandinas e criptococoseNível 3
Um homem de 34 anos com aids e contagem de linfócitos T CD4 de 40 células/mm³ tem cefaleia intensa há três semanas. O exame do líquor com tinta da China mostra leveduras arredondadas com halo claro ao redor, e a pesquisa de antígeno criptocócico por aglutinação em látex é reagente. Um estudante sugere caspofungina, por ser uma equinocandina com boa tolerabilidade.
Qual justificativa microbiológica explica por que essa classe NÃO é adequada nesse caso?
AAs equinocandinas agem ligando-se ao ergosterol, que é escasso na membrana de Cryptococcus
BAs equinocandinas inibem a 14-alfa-desmetilase, enzima ausente nas leveduras encapsuladas
CAs equinocandinas inibem a síntese de quitina, e a cápsula polissacarídica impede seu acesso à parede
DAs equinocandinas inibem a síntese de beta-1,3-D-glucana da parede, mas Cryptococcus neoformans é intrinsecamente resistente a essa classe, por isso a base do tratamento é anfotericina B associada a flucitosina✓ correta
EAs equinocandinas precisam ser convertidas em 5-fluoruracil pela citosina desaminase, enzima que Cryptococcus não expressa
Resposta correta: alternativa D
💡 Explicação
A alternativa D está correta: as equinocandinas (caspofungina, micafungina, anidulafungina) inibem a beta-1,3-D-glucana sintase (subunidade FKS) e são ativas contra Candida spp., incluindo muitos isolados de Candida auris. Cryptococcus neoformans, no entanto, tem resistência intrínseca a essa classe, documentada em laboratório e na clínica. Na criptococose meníngea, a base do tratamento é um polieno associado à flucitosina. A ligação ao ergosterol é o mecanismo dos polienos (alternativa A), a inibição da 14-alfa-desmetilase é a dos azóis (alternativa B) e a conversão em 5-fluoruracil é a da flucitosina (alternativa E).Questão enviada por Equipe Canetinha ao banco público do Canetinha.