Microbiologia MédicaResistência bacteriana: betalactamases, carbapenemases e interpretação do antibiogramaNível 3
Paciente internado em unidade de terapia intensiva há três semanas apresenta infecção de corrente sanguínea por Klebsiella pneumoniae. O antibiograma mostra resistência a ceftriaxona, cefepima e meropeném, com concentração inibitória mínima (CIM) de meropeném de 16 microgramas por mililitro. O teste fenotípico de inativação de carbapenêmico é positivo, e a atividade enzimática é inibida por ácido fenilborônico, mas não por EDTA.
Qual é o mecanismo de resistência mais provável?
ABetalactamase de espectro estendido, que hidrolisa cefalosporinas, mas não carbapenêmicos
BAmpC cromossômica desreprimida, sem hidrólise significativa de carbapenêmicos
CCarbapenemase de classe A do tipo KPC, que hidrolisa penicilinas, cefalosporinas e carbapenêmicos✓ correta
DMetalo-betalactamase do tipo NDM, dependente de zinco e inibida por agentes quelantes
EPerda isolada das porinas de membrana externa, com redução da entrada do antimicrobiano
Resposta correta: alternativa C
💡 Explicação
A alternativa C é a correta. O teste de inativação de carbapenêmico positivo e a CIM elevada de meropeném indicam produção de carbapenemase, e a inibição pelo ácido fenilborônico, sem inibição pelo EDTA, aponta uma carbapenemase de serina da classe A, cujo principal representante no Brasil é a KPC. O ácido borônico também inibe AmpC, mas AmpC e betalactamases de espectro estendido não hidrolisam carbapenêmicos de forma relevante nem positivam o teste de inativação. A metalo-betalactamase NDM, de classe B, depende de zinco e seria inibida pelo EDTA, o que a exclui. A perda isolada de porinas pode reduzir a sensibilidade, mas não gera atividade enzimática detectável nos testes descritos.Questão enviada por Equipe Canetinha ao banco público do Canetinha.