Ciências HumanasENEM 2025Nível 3
A "invenção" dessa nova anatomia política não deve ser entendida como uma descoberta súbita. Mas como uma multiplicidade de processos muitas vezes mínimos, de origens diferentes, de localizações esparsas, que se recordam, que se repetem, ou se imitam, apoiam-se uns sobre os outros e esboçam aos poucos a fachada de um método geral. Encontramo-los em funcionamento nos colégios, muito cedo; mais tarde, nas escolas primárias, no espaço hospitalar e na organização militar.
FOUCAULT, M. Vigiar e punir. Petrópolis: Vozes, 2011.
O texto indica o seguinte aspecto da disciplina como ferramenta política:
Fonte: ENEM 2025 · questão 55 · INEP.
AExpansão das técnicas de suplício.
BJudicialização das relações de poder.
CDissolução das distinções de nobreza.
DCapilarização das práticas de controle.✓ correta
EEspetacularização das medidas de penitência.
Resposta correta: alternativa D
💡 Explicação
Para Foucault, a disciplina não nasceu de uma grande decisão central, mas de uma multiplicidade de pequenos processos dispersos que foram se espalhando por colégios, escolas, hospitais e quartéis. Esse espalhamento fino do poder por todo o tecido social é o que se chama de capilarização das práticas de controle: o poder chega a todos os cantos, como o sangue nos vasos capilares. As outras alternativas contradizem o texto — o suplício e o espetáculo da punição são justamente o que a disciplina substitui na obra 'Vigiar e Punir'.Questão enviada por Marcelo Merreles ao banco público do Canetinha.