Ciências HumanasENEM 2022Nível 3
Na construção da ferrovia Madeira-Mamoré, o que dizer dos doentes, eternos moribundos a vagar entre delírios febris, doses de quinino e corredores da morte? O Hospital da Candelária era santuário e túmulo, monumento ao progresso científico e preâmbulo da escuridão. Foi ali, com suas instalações moderníssimas, que médicos e sanitaristas dirigiram seu combate aos males tropicais. As maiores vítimas, contudo, permaneceriam na sombra à margem do palco, cobaias sem consolo, credores sem nome de uma sociedade que não lhes concedera tempo algum para ser decifrada.
FOOT HARDMAN, F. Trem fantasma: modernidade na selva. São Paulo: Cia. das Letras, 1988 (adaptado).
No texto, há uma crítica ao modo de ocupação do espaço amazônico pautada na
Fonte: ENEM 2022 · questão 50 · INEP.
Adiscrepância entre engenharia ambiental e equilíbrio da fauna.
Bincoerência entre maquinaria estrangeira e controle da floresta.
Cincompatibilidade entre investimento estatal e proteção aos nativos.
Dcompetição entre farmacologia internacional e produtos da fitoterapia.
Econtradição entre desenvolvimento nacional e respeito aos trabalhadores.✓ correta
Resposta correta: alternativa E
💡 Explicação
O texto opõe o "progresso" trazido pela ferrovia Madeira-Mamoré (instalações moderníssimas, ciência, sanitarismo) ao destino dos trabalhadores, tratados como "cobaias sem consolo" e "credores sem nome", adoecendo e morrendo à margem de tudo. A crítica está justamente nessa contradição: o desenvolvimento avança, mas às custas da vida e da dignidade de quem o construiu — alternativa E. As demais opções desviam o foco para fauna, floresta, nativos ou fitoterapia, temas que o texto não coloca no centro; a denúncia é sobre os trabalhadores da ferrovia.Questão enviada por Marcelo Merreles ao banco público do Canetinha.