Ciências HumanasENEM 2014Nível 3
Mas plantar pra dividir
Não faço mais isso, não.
Eu sou um pobre caboclo,
Ganho a vida na enxada.
O que eu colho é dividido
Com quem não planta nada.
Se assim continuar
vou deixar o meu sertão,
mesmo os olhos cheios d'água
e com dor no coração.
Vou pro Rio carregar massas
pros pedreiros em construção.
Deus até está ajudando:
está chovendo no sertão!
Mas plantar pra dividir,
Não faço mais isso, não.
No trecho da canção, composta na década de 1960, retrata-se a insatisfação do trabalhador rural com
VALE, J.; AQUINO, J. B. Sina de caboclo. São Paulo: Polygram, 1994 (fragmento).
Fonte: ENEM 2014 · questão 7 · INEP.
Aa distribuição desigual da produção.✓ correta
Bos financiamentos feitos ao produtor rural.
Ca ausência de escolas técnicas no campo.
Dos empecilhos advindos das secas prolongadas.
Ea precariedade de insumos no trabalho do campo.
Resposta correta: alternativa A
💡 Explicação
A revolta do caboclo está nos versos "O que eu colho é dividido / Com quem não planta nada": ele trabalha na enxada, mas o fruto do seu esforço vai para quem não trabalha a terra — uma crítica ao regime de parceria e à concentração fundiária do Brasil dos anos 1960. É essa divisão injusta da produção que o faz pensar em migrar para o Rio, e não a seca, pois a própria canção diz que "está chovendo no sertão", o que descarta a alternativa D. Também não há menção a financiamentos, escolas técnicas ou falta de insumos, o que elimina as demais.Questão enviada por Marcelo Merreles ao banco público do Canetinha.