Ciências HumanasENEM 2013Nível 3
Até hoje admitia-se que nosso conhecimento se devia regular pelos objetos; porém, todas as tentativas para descobrir, mediante conceitos, algo que ampliasse nosso conhecimento, malogravam-se com esse pressuposto. Tentemos, pois, uma vez, experimentar se não se resolverão melhor as tarefas da metafísica, admitindo que os objetos se deveriam regular pelo nosso conhecimento.
KANT, I. Crítica da razão pura. Lisboa: Calouste-Gulbenkian, 1994 (adaptado).
O trecho em questão é uma referência ao que ficou conhecido como revolução copernicana na filosofia. Nele, confrontam-se duas posições filosóficas que
Fonte: ENEM 2013 · questão 36 · INEP.
Aassumem pontos de vista opostos acerca da natureza do conhecimento.✓ correta
Bdefendem que o conhecimento é impossível, restando-nos somente o ceticismo.
Crevelam a relação de interdependência entre os dados da experiência e a reflexão filosófica.
Dapostam, no que diz respeito às tarefas da filosofia, na primazia das ideias em relação aos objetos.
Erefutam-se mutuamente quanto à natureza do nosso conhecimento e são ambas recusadas por Kant.
Resposta correta: alternativa A
💡 Explicação
Kant contrapõe duas visões opostas sobre como conhecemos: a tradicional, em que nosso conhecimento se regula pelos objetos (a mente apenas 'copia' a realidade), e a dele, em que os objetos se regulam pelo nosso conhecimento (a mente organiza ativamente a experiência). São, portanto, pontos de vista opostos sobre a natureza do conhecimento — daí a alternativa A. Note que Kant não recusa as duas posições (ele defende a segunda), não prega o ceticismo e a primeira posição não dá primazia às ideias, o que elimina as demais alternativas.Questão enviada por Marcelo Merreles ao banco público do Canetinha.