LiteraturaLiteraturas africanas: José Craveirinha e a poesia da negritudeNível 3
Em "Grito negro", o poeta moçambicano José Craveirinha constrói um eu lírico que se identifica com o carvão. Em paráfrase: ele é extraído da terra pelo patrão, explorado nas minas e queimado para gerar riqueza alheia; no entanto, anuncia que, ao arder, se tornará chama e fogo, até não poder mais ser usado como mero combustível.
O poema foi escrito no período colonial, em diálogo com o movimento da negritude, que, a partir dos anos 1930, reuniu intelectuais africanos e caribenhos na afirmação da identidade negra. Considerando esse contexto, a metáfora do carvão
Aexprime a resignação do colonizado, que aceita a exploração como destino natural e imutável.
Belogia a presença portuguesa na África, apresentada como responsável pelo progresso das minas.
Cdescreve de modo técnico o trabalho de mineração, sem intenção política ou crítica social.
Dafasta o poema da realidade africana, buscando beleza formal pura, como no Parnasianismo.
Econverte a condição de explorado em força de resistência, em sintonia com a luta anticolonial.✓ correta
Resposta correta: alternativa E
💡 Explicação
A alternativa E está correta: o carvão, símbolo da cor e da exploração do trabalhador negro, vira fogo, isto é, revolta e consciência, o que liga o poema à negritude e à luta pela independência de Moçambique, conquistada em 1975. A alternativa A fica só na primeira parte da imagem e esquece a virada final do poema. A alternativa D atribui ao texto um traço do Parnasianismo, movimento bem distante dessa poesia engajada.Questão enviada por Equipe Canetinha ao banco público do Canetinha.