LiteraturaMário de Andrade: 'Macunaíma' e a língua brasileiraNível 3
Em 'Macunaíma' (1928), de Mário de Andrade, o herói escreve de São Paulo uma carta às icamiabas, as guerreiras da mata. A carta é toda redigida num português pomposo, cheio de construções lusitanas, e Macunaíma comenta sobre os paulistas:
“Ora sabereis que a sua riqueza de expressão intelectual é tão prodigiosa, que falam numa língua e escrevem noutra.”
No contexto do Modernismo, esse trecho
Aelogia com sinceridade a erudição dos bacharéis, apresentada como modelo para a literatura nacional.
Bsatiriza a distância entre a escrita presa ao padrão lusitano e a língua falada no Brasil, tema caro aos modernistas.✓ correta
Cdefende que os brasileiros abandonem a escrita e passem a usar apenas a oralidade.
Dcritica a influência das línguas indígenas na formação do português do Brasil.
Ereproduz a fala coloquial do herói, sem nenhuma intenção de paródia.
Resposta correta: alternativa B
💡 Explicação
A alternativa correta é a B. O elogio é irônico: chamar de “prodigiosa” a mania de falar de um jeito e escrever de outro é uma forma de ridicularizar a escrita artificial, presa ao modelo de Portugal. Os modernistas defendiam uma língua literária próxima do falar brasileiro. A alternativa A é a leitura literal que não percebe a ironia, e a E ignora que a carta parodia o estilo pomposo.Questão enviada por Equipe Canetinha ao banco público do Canetinha.