PortuguêsLiteratura portuguesa do século XX: Fernando Pessoa e heterônimosNível 3
Texto I
O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
PESSOA, Fernando. Autopsicografia. 1932.
Texto II
Creio no mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender...
O mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo...
CAEIRO, Alberto (heterônimo de Fernando Pessoa). O guardador de rebanhos.
A comparação entre os textos evidencia que, no projeto heteronímico de Fernando Pessoa,
Aos dois poemas expressam a mesma concepção de poesia, centrada na sinceridade confessional.
BCaeiro e o ortônimo defendem que o pensamento racional é o único caminho para a verdade.
Co texto I rejeita o fingimento, enquanto o texto II o adota como princípio estético.
Dambos os textos abandonam a reflexão sobre a poesia para tratar de temas históricos.
Eo ortônimo intelectualiza a emoção, enquanto Caeiro recusa o pensamento em favor das sensações.✓ correta
Resposta correta: alternativa E
💡 Explicação
A alternativa correta é a E. No texto I, o poeta transforma a dor real em dor fingida, ou seja, elabora racionalmente o sentimento; no texto II, Caeiro diz que "pensar é estar doente dos olhos" e prefere apenas ver o mundo. São visões diferentes, o que mostra que os heterônimos têm estilos e filosofias próprios. A alternativa C inverte os textos, já que é o texto I que afirma o fingimento.Questão enviada por Equipe Canetinha ao banco público do Canetinha.