PortuguêsIntertextualidade: releituras da Canção do exílioNível 3
Texto I
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.
(...)
Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu'inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
DIAS, Gonçalves. Canção do exílio. 1843.
Texto II
Minha terra tem palmares
Onde gorjeia o mar
Os passarinhos daqui
Não cantam como os de lá
(...)
Não permita Deus que eu morra
Sem que volte pra São Paulo
Sem que veja a Rua 15
E o progresso de São Paulo
ANDRADE, Oswald de. Canto de regresso à pátria. In: Pau Brasil. 1925.
Ao retomar o poema romântico, o texto de Oswald de Andrade
Areproduz o ufanismo de Gonçalves Dias, trocando apenas a métrica por versos livres.
Bmantém a natureza exuberante como símbolo maior e intocado da identidade nacional.
Csubstitui o tom nostálgico por uma lamentação ainda mais sentimental do exílio.
Dabandona qualquer referência ao Brasil para celebrar cidades e paisagens europeias.
Eparodia o original, inserindo "palmares" e o "progresso" urbano no lugar da paisagem idealizada.✓ correta
Resposta correta: alternativa E
💡 Explicação
A alternativa correta é a E. Oswald mantém a estrutura do poema romântico, mas troca "palmeiras" por "palmares", palavra que lembra o quilombo e a história da resistência negra. Ele também troca o sabiá pelo "progresso de São Paulo". Retomar um texto mudando seu sentido dessa forma é fazer uma paródia. A alternativa A reduz a releitura a uma mudança de forma e deixa de lado a ironia e a crítica ao nacionalismo idealizado.Questão enviada por Equipe Canetinha ao banco público do Canetinha.