PortuguêsPreconceito linguístico e prestígio social das variedadesNível 2
Minha avó diz “pobrema” e “nós vai”. Durante anos, corrigi cada frase dela no almoço de domingo, achando que fazia um favor. Um dia, ela respondeu sem levantar os olhos do prato: “Eu criei sete filhos falando assim, e todos me entenderam”. Fiquei em silêncio. Percebi que eu não corrigia a língua dela; corrigia a história dela, a roça onde cresceu, a escola que fechou quando ela tinha dez anos. Hoje, quando escrevo um trabalho da faculdade, uso a norma-padrão, porque a situação pede. Quando almoço com ela, apenas escuto.
(Crônica elaborada para fins didáticos.)
Na reflexão do cronista, a mudança de atitude diante da fala da avó revela a compreensão de que
Aa variedade usada pela avó está ligada à sua trajetória social e cumpre plenamente a função comunicativa.✓ correta
Ba variedade usada pela avó deve ser abandonada, já que a norma-padrão é a única forma correta de falar.
Ca norma-padrão perde a importância, já que todas as situações admitem qualquer forma de linguagem.
Da variedade usada pela avó é um erro individual, causado pela falta de atenção ao falar em família.
Ea norma-padrão deve ser usada também em casa, para que os mais velhos aprendam a falar melhor.
Resposta correta: alternativa A
💡 Explicação
A alternativa correta é a A. O cronista percebe que a fala da avó carrega a história social dela e que comunica muito bem, já que “todos me entenderam”. A alternativa C é uma extrapolação: o texto não descarta a norma-padrão, tanto que o narrador a usa nos trabalhos da faculdade, porque a situação pede.Questão enviada por Equipe Canetinha ao banco público do Canetinha.